Em agosto de 1967, um objeto estranho explodiu sobre a cidade de São Simão-SP. Após alguns dias de trabalho, Saulo localizou pedaços do objeto na cidade de Buritizal-SP. Anos depois, examinado em um laboratório especializado, no Canadá, constatou-se ser um meteorito, que levou o nome de “meteorito Saulo Gomes”.

Fenômeno de São Simão – Buritizal

                             14 de agosto de 1967

        Em 1967 eu era repórter da extinta TV Tupi de São Paulo.  Nas primeiras horas da manhã de 14 de agosto, do mesmo ano, me desloquei para a cidade de São Simão-SP, de onde vinha a notícia de que um objeto havia explodido por volta de 03,40 hs.

         O fato foi testemunhado por 3 funcionários da Companhia Ferroviária Mogiana – Nelson Pereira, Antonio Pereira da Silva e Marcílio Botelho de Oliveira, que assim descreveram: “estávamos dentro do vagão (um escritório improvisado na estação Sucuri), aguardando a passagem do cargueiro das 03,40 hs quando, de repente, ouvimos uma explosão muito forte pertinho de nós e um clarão muito forte iluminou tudo, e achamos que atingiu a dois quilometros de altura;

         Em minha reportagem pude documentar que os efeitos desta explosão foram vistos até 140 kms do local. Durante dias consecutivos ouvi depoimentos de motoristas de ônibus, táxis, carros particulares, negociantes, tratoristas e populares.

         A narrativa, de todos, era rigorosamente igual: “explosão forte, luz intensa no céu, iluminando a área como se fosse dia.

         Muitos me informaram que os faróis de seus veículos foram ofuscados pela claridade e alguns afirmaram que os seus motores “apagaram”.

         Em nenhum momento houve dúvida sobre a veracidade do fato.

Durante minha reportagem recebi a informação de que pedaços do objeto haviam caído numa fazenda próxima, na região, de propriedade do major médico da aeronáutica, Dr. Rubens Barbirato, falecido em maio de 2008.

         O achado na fazendo do Major Barbirato e em outras cidades da região ensejou a imediata intervenção da aeronáutica e a censura foi estabelecida, pois estávamos em pleno regime militar.

         Diante da informação da censura, na região, partimos para pesquisar em outros locais que não estavam sob a mira dos militares.

         Dentre as cidades pesquisadas cheguei a Buritizal, que fica mais ou menos a 150 kms de São Simão, onde pedaços do objeto danificaram várias propriedades, dentre essas a farmácia do Sr. Francisco Ribeiro Soares Júnior e o estábulo da Fazenda Buritis de propriedade do Sr. Almir Cancilieri, onde constatei os estragos em sua propriedade. No mesmo local entrevistei o piloto da aviação civil, Antonio Alberto Martins (Badu), o qual confirmou os estragos naquele local.

         Todos os entrevistados descreveram o fato da seguinte forma: “ouvimos um barulho muito forte, vimos um clarão muito grande, os animais ficaram muito agitados, ficamos muito assustados e, ao chegar no estábulo, vimos um buraco no chão e na parede próxima”.

         Neste local, depois de uma busca minuciosa, encontrei 3 pedaços de uma pedra escura, parecendo queimada pelo fogo, com medidas aproximadas: a primeira de 6 cms x 4 cms x 3 cms, a outra de 4cms x 3 cms x 2cms e uma terceira com medidas próximas a segunda, que foi entregue aos cuidados do Prof. Zanardo, da Unesp, para análise.

         Na época desse fato fui informado por um delegado de São Paulo que pedaços desse estranho objeto foram entregues ao Instituto de Polícia Técnica – IPTSP,  e outros foram encaminhados à NASA, nos EEUU.

         Conservei as pedras durante 42 anos, sem nunca saber o resultado daquela pesquisa.

No final de julho, deste ano de 2009, fui procurado por João Garcia, editor do jornal”A Cidade”, de Ribeirão Preto, para uma reportagem sobre o assunto que, neste mês, está fazendo 42 anos.

Após a  publicação da edição de domingo, 16 de agosto, entreguei uma das pedras ao departamento de Geologia, da Unesp, para análise.

Espero ter agora, a resposta a uma indagação de mais de 40 anos.

Na época, a TV Tupi, Rádio Difusora, Rádio Tupi, Diário da Noite e Diário de São Paulo, órgãos dos Diários Associados, deram grande destaque à matéria, que foi reproduzida por outros veículos de comunicação, no Brasil e exterior.

Ribeirão Preto, 27 de agosto de 2009.

Saulo Gomes

REPORTAGEM: Pedra encontrada em São Simão pode desvendar ocorrido há 42 anos

ACESSE: MISTÉRIO EM SÃO SIMÃO




ANÁLISE DO METEORITO CONDRÍTICO SAULO GOMES FEITA PELO LABORATÓRIO CANADENSE.


ACESSE: Análise completa do meteorito Saulo Gomes

Análise Química do Meteorito Saulo Gomes realizada pelo ACME Analytical Laboratories.

Elementos Maiores:

Si02 = 40,35%

TiO2 = 0,15%            

Al2O3 = 2,25%

Fe2O3 = 26,82%

MnO = 0,35%

MgO = 24,78%

CaO = 2,00%

Na2O = 0,99%

K2O = 0,11%

P2O5 = 0,23%

Cr2O3 = 0,557%

LOI = -0,4 % (perda ao fogo)

Elementos menores e traços em parte por milhão (PPM):

Sc = 9

V = 63

Co = 502,9

Ni = > 1.0000,0

Cr = 100,4

Zn = 30

Rb = 3,2

Cs = 0,1

Sr = 12,8

Ba = 6

Y = 2,3

Zr = 5,6

Hf = 0,3

Nb = 0,4

Ta= < 0,1

Pb = 1,5

Th = <0,2

U = < 0,1

Ga = 5,5

Be = <1

W = < 0,5

Mo= 0,6

Sn = 7

Au = 29,7

La = 0,4

Ce = 1,6

Pr = 0,14

Nd = 0,6

Sm = 0,22

Eu= 0,08

Gd = 0,30

Tb= 0,06

Dy = 0,29

Ho = 0,08

Er = 0,22

Tm= 0,03

Yb = 0,23

Lu = 0,04       


Somatória = 99,49%

Os aspectos mineralógicos, texturais e químicos permitem classificar o meteorito em Saulo Gomes como condrito ordinário, tipo H3. Os côndrulos são formados por olivina, orto e clinopiroxênio, vidro com cristalitos, troillita e liga ferro níquel. A matriz é constituída por material vítreo em associação com troillita, liga ferro níquel e outros compostos a base de ferro.

Os condritos representam o tipo mais comum de meteoritos, e como os outros, guardam em seu interior informações que ajudam os cientistas desvendar a formação do sistema solar. A denominação de “condrito” origina da presença de pequenos grânulos, normalmente esféricos a subesféricos, denominados de “côndrulos”, envoltos por matriz compacta. Para os cientistas, esses grânulos representam a matéria que deu origem ao sistema solar, todos os planetas e o sol. Dessa forma, acredita-se que os meteoritos possuam idades superiores a 4.5 bilhões de anos, e constituem as substâncias primitivas presentes no estágio inicial da evolução do sistema solar.

A grande maioria das quedas observadas é representada por condritos, porém os meteoritos ferrosos ou sideritos se destaca no número total de achados, onde a queda não foi presenciada. Isso deve ao fato dos sideritos serem mais facilmente identificados e manterem seu aspecto exterior diferenciado por mais tempo em relação às rochas terrestres do que os condritos. Os condritos sofrem muito mais a ação do ambiente terrestre e ao longo do tempo após a sua queda tem seu aspecto externo cada vez mais alterado e passam a serem confundidos com as rochas terrestres, dificultando o seu achado. Por outro lado o forte magnetismo dos meteoritos.

A classificação dos condritos é feita basicamente por dois critérios: quantidade de ferro e grau de diferenciação dos côndrulos.

            Os condritos ordinários (OC), correspondendo a cerca de 85% das quedas observadas e podem ser do tipo: H (muito ferro), L (pouco ferro) e LL (muito pouco ferro) seguidos de um índice que indica o grau de diferenciação dos côndrulos de 3 a 6. Sendo o grau 3 os que apresentam côndrulos bem nítidos (bem distinguíveis com limites nítidos), que o caso do meteorito em questão, sendo o grau 6 praticamente imperceptíveis.

O Condritos tipo H contém de 25 a 31% peso de ferro e devido a este fato é mais facilmente atraído por imãs que os outros tipos. Esse tipo perfaz quase 40% dos condritos coletados.

O Condritos tipo L é um pouco mais comum que o H, correspondendo a mais de 45% dos coletados. É caracterizado por possuir de 20 a 25% de ferro em sua constituição.

Os Condritos tipo LL são os mais raros entre os condritos ordinários, correspondendo a menos de 10% das quedas observadas e são caracterizados por teores de ferro entre 19 a 22%.



Foto 1– Fotomicrografia mostrando côndrulos compostos por olivina e/ou clinopiroxênio envoltos por matriz contendo troillita, liga ferro-níquel e material vítreo. O material mais claro é troillita (sulfeto de ferro) e liga metálica. Fotomicrografia obtida com luz refletida. O comprimento da foto corresponde a 1 mm.


Foto 2– Fotomicrografia mostrando côndrulos compostos por olivina e/ou clinopiroxênio envoltos por matriz contendo troillita, liga ferro-níquel e material vítreo. O material mais claro é troillita (sulfeto de ferro) e liga metálica. Fotomicrografia obtida com luz refletida. O comprimento da foto corresponde a 2 mm.



Foto 3– Fotomicrografia mostrando côndrulos compostos por olivina e/ou clinopiroxênio envoltos por matriz contendo troillita, liga ferro-níquel e material vítreo. O material escuro correspondente a matriz e manchas nos côndrulos correspondem a material amorfo, troillita (sulfeto de ferro) e liga metálica. Fotomicrografia obtida com luz transmitida e polarizadores descruzados. O comprimento da foto corresponde a 1 mm.


Foto 4– Fotomicrografia destacando côndrulos compostos por vidro e cristalitos fibrosos envolto por matriz contendo troillita, liga ferro-níquel e material vítreo. Fotomicrografia obtida com luz transmitida e polarizadores cruzados. O comprimento da foto corresponde a 0,5 mm.



Foto 5– Fotomicrografia mostrando côndrulos compostos por olivina e/ou clinopiroxênio e vidro envoltos por matriz contendo troillita, liga ferro-níquel e material vítreo. O material escuro correspondente a matriz e manchas nos côndrulos correspondem a material amorfo, troillita (sulfeto de ferro) e liga metálica. Fotomicrografia obtida com luz transmitida e polarizadores cruzados. O comprimento da foto corresponde a 2 mm.


Foto 6 – Fotomicrografia mostrando côndrulos compostos por olivina e/ou clinopiroxênio envoltos por matriz contendo troillita, liga ferro-níquel e material vítreo. O material escuro correspondente a matriz e manchas nos côndrulos correspondem a material amorfo, troillita (sulfeto de ferro) e liga metálica. Fotomicrografia obtida com luz transmitida e polarizadores descruzados. O comprimento da foto corresponde a 2 mm.



Foto 7– Fotomicrografia mostrando detalhe de um côndrulos composto por olivina parcialmente substituída por piroxênio. Fotomicrografia obtida com luz transmitida e polarizadores cruzados. O comprimento da foto corresponde a 0,5 mm.




Saulo entregando o “meteorito” para o Museu Nacional – UFRJ por intermédio da Dra Elizabeth Zucolotto

Uma das maiores especialista em meteoritos do Brasil, atualmente é professora associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), chefe-substituta do Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Nacional/UFRJ, onde também é curadora da meteorítica.

Dra Maria Elizabeth Zucolotto possui graduação em Astronomia, mestrado em Geologia e doutorado em Engenharia Metalúrgica e de Materiais, todos pela UFRJ. Tem experiência na área de astronomia, com ênfase em astrofísica do Sistema Solar (meteoritos). Atuando principalmente nos seguintes temas: meteoritos, meteoritos brasileirosmeteoritos metálicos (sideritos)bólidos.




REPORTAGEM: Meteorito fará parte de exposição.

O meteorito guardado 42 anos foi fazer parte da exposição de meteoritos, no Museu Nacional da UFRJ. Foi salvo do incêndio e foi recuperado.