O Exílio no Uruguai, em 1964 e cadeia no Brasil, marcou a vida do Repórter.

Golpe Civil-Militar de 1964

30 de março de 1964 – Automóvel Clube RJ – João Goulart é homenageado pela Associação de Sargentos e Sub-oficiais das Forças Armadas . Vinte e quatro horas depois, estava deposto. * Saulo transmite para a Rádio Mairinque Veiga-RJ.

UM POUCO DA TRISTE HISTÓRIA DE 31 DE MARÇO DE 1964

Está formada a Rede da Legalidade: Rádio Mayrink Veiga, sob nossa responsabilidade; Rádio Nacional do Rio, dirigida pelo companheiro
Emilsom Fróes e dezenas de emissoras país afora. Acompanhados por valentes colegas repórteres e técnicos que, como nós, protestam contra o golpe, documentamos, naqueles dias sombrios, os grandes momentos de tensão: transmitimos, da sede do Sindicato dos Metalúrgicos, no Bairro do Riachuelo, a palavra de ordem dos marinheiros ali amotinados e registramos reuniões nos clubes militares, da Marinha, Aeronáutica e Exército. Nas ruas, percebíamos a presença dos adeptos de Carlos Lacerda, empunhando armas, identificados pelos lenços brancos e azuis, amarrados nos braços ou no pescoço. Falava-se em guerra civil. O presidente João Goulart preferiu o exílio no Uruguai para evitar uma carnificina. Nos estúdios das emissoras se revezavam, nos microfones, líderes do movimento de esquerda como Leonel Brizola; Miguel Arraes; Dante Pellacani, presidente da CGT (Comando Geral dos Trabalhadores); Demistóclides Baptista, conhecido como Batistinha, líder dos ferroviários e deputado federal do Partido Comunista; Paulo Schilling e o cabo Anselmo, presidente da associação dos marinheiros. Dirigentes de sindicatos de todo o país faziam uma linha direta com nossos estúdios. Manifestos eram lidos, palavras de ordem, endereçadas às suas categorias profissionais ali representadas e, até o deputado federal Tenório Cavalcanti – o homem da capa preta – da UDN (União Democrá tica Nacional), estava do nosso lado. Gritos, muita exaltação, ameaças de invasão aos nossos estúdios. Uma patrulha do Corpo de Fuzileiros Navais, sob o comando do tenente Leite, fazia a segurança do prédio no 15, da Rua Mayrink Veiga, por ordem do almirante Cândido Aragão. Pressão muito grande. Nossa resistência durou 16 horas, ou seja, até 1º de abril. A Rádio Nacional foi tomada às 2 horas da manhã pelos lenços brancos e azuis – lacerdistas e homens do exército. Caiu a trincheira da democracia! Começa a prevalecer no país a transmissão das rádios, tomadas pelos militares, anunciando a fuga de Jango e de membros do seu governo. Prisões são anunciadas; muitos de nós fugimos do provável fuzilamento; alguns conseguiram pedir asilo na embaixada uruguaia, no bairro do Flamengo. Vários presos foram torturados, outros, vitimas de fuzilamento sumário, mas nada foi divulgado. O Brasil caía nas trevas! Acabaram as garantias constitucionais! O governador Carlos Lacerda vai à Ilha das Flores, reduto da Marinha, e liberta importadores de cereais, presos e acusados como sonegadores e ladrões do povo, consequência de ato de João Goulart. Na Embaixada Uruguaia temos informações de atos de vandalismo, invasão de universidades e sindicatos, prisões de diretores e líderes. A noite das trevas vai durar 21 anos! São anunciados os primeiros atos institucionais. Estou entre os primeiros cassados pelo presidente Castello Branco e sou aposentado compulsoriamente. Leonel Brizola resiste no Rio Grande do Sul, mas também é vencido. Meses depois, alguns de nós deixamos o exílio, no Uruguai, e viemos tentar mudar esse quadro. Não conseguimos. Fomos presos. Muitos foram torturados e mortos.










Saulo entrevista Almirante Aragão, por ocasião da ocupação do QG da Marinha – Rádio Mairinque Veiga – RJ – março 1964









Asilados na Embaixada do Uruguai RJ – foto 1 -Dep. Federal – PCdoB – Demistóclides Batista; lider estudantil – e Eloi Dutra; foto 2 – Lider estudantil; Saulo Gomes – repórter da Rádio Mairinque Veiga – RJ ; Eloi Dutra – Vice Gov. do RJ




Asilados no Pátio da Embaixada do Uruguai-RJ
Severino Schnaipp – tesoureiro da CGT-Comando Geral dos Trabalhadores; Com.da Vasp – Mena Barreto; Cel. do Exército Dagoberto Salles-pres. dos Correios; Dep. Demistócliedes Batista (Batistinha); no banco de trás – Comandante Mello Bastos-Pres. do Sind. dos Aeronautas



Asilados Políticos partem para o Exílio no Uruguai