A volta dos campeões da copa do mundo, em 1958, fez com que as autoridades brasileiras montassem, no aeroporto do Galeão, um rigoroso esquema de segurança. Para ter acesso aos jogadores Saulo burlou a segurança vestindo um macacão da Panair do Brasil, que era a empresa de aviação que transportava os jogadores da Suécia para casa.
Saulo, disfarçado de mecânico da Panair do Brasil, escondeu o gravador e invadiu o avião.


Como Saulo entrou no avião que trazia os jogadores da Suécia

À distância, Saulo Gomes e outros milhões de brasileiros acompanharam a vitória da seleção do Brasil na final da Copa do Mundo, em 1958. A última partida foi contra os donos da casa, a Suécia, com um placar de 5 a 2. Dois gols de Pelé, dois do Vavá e um do Zagalo. No time ainda tinham Garrincha,Zito, Mazzola, Nilton Santos, Didi, Orlando Peçanha, Belini, Djalma Santos e o goleiro Gilmar. A seleção era esperada com entusiasmo e Saulo Gomes havia sido escalado para reportar a chegada do grupo. As informações iniciais eram de que eles viajariam pelo Constellation, da Panair, em rota comercial. Quando do credenciamento da imprensa para a cobertura da chegada da seleção, lá estava o Coronel Ventura, que era sempre o responsável por eventos que envolviam chefes de estados e grandes autoridades. As determinações eram claras. — Está rigorosamente proibida a presença de vocês junto ao avião. A previsão de chegada do avião era para as dez horas da manhã. As equipes jornalísticas começaram a se posicionar no Galeão de madrugada. Todos em busca de boas localizações, fazer testes para as transmissões e garantirem acesso aos campeões do mundo. Saulo também estava lá, junto dos demais, pelo menos por um tempo.Por volta das três, quatro horas da manhã, enquanto olhava um galpão no hangar da Panair a uma certa distância, o repórter da Rádio Continental, não mais principiante, observou que naquele instante estava acontecendo uma troca de turno de trabalho. Muitos funcionários saiam e vários outros entravam. Ao ver algumas luzes acessas, Saulo se aproximou, olhou todos lados e, de longe, viu muitos armários, alguns com as portas abertas. Dentro deles tinham fones, aparelhos e roupas. Muitas roupas. Ele mexeu sem qualquer receio de ser visto e, de repente, retirou do todo, um macacão bem maior que ele, escrito em letras verdes, o nome da Panair. Saulo deixou aquele lugar levando consigo o uniforme. O repórter não voltou para onde estava o grupo de jornalistas. Muito pelo contrário, ele foi para o lado oposto, mais perto do local onde chegaria o avião. Com medo de ser identificado, Saulo Gomes resolveu ficar andando o tempo todo, fazendo parecer que estava em atividade. Era cinco da manhã quando ele começou a circular. O avião que chegaria às 10, só apareceu por volta das duas horas da tarde e Saulo ficou todo aquele tempo driblando a segurança. Para sorte do repórter, a direção do Galeão tinha deliberado que os funcionários do aeroporto Santos Dumont que não estivessem trabalhando e quisessem acompanhar a chegada da seleção poderiam, com suas credenciais, participarem do evento. Aquela situação ajudou muito. Somente o chefe da equipe de Saulo, Carlos Palut e os técnicos de áudio sabiam que o repórter estava na pista e que faria a transmissão pelo seu microfone BTP, em uma frequência específica. Aquele aparelho era mais que um simples microfone, ele permitia a transmissão direta por meio da fixação da frequência. Com o peso de um quilo mais ou menos e um tamanho aproximado de 30 centímetros, Saulo manteve o equipamento dentro do macacão. Na perna direita, ele escondeu a antena de 50 centímetros. Em decorrência de todo o tempo que carregou aquela maleta, esfregando em sua pele, o repórter sofreu um ferimento na barriga que, na verdade, só sentiu a dor depois de tudo terminado. Quando o avião tomou a posição da cabeceira e começou a taxiar, Saulo saiu do grupo de trabalhadores do aeroporto e correu pela grama, depois pela pista, rumo a entrada da aeronave. Neste momento, ele tirou de dentro do macacão seu equipamento de transmissão. Ao subir a escada Saulo inibiu o profissional do aeroporto que estava escalado para fazer aquilo e, novamente, não foi denunciado. Saulo desembestou aeronave adentro e de microfone em punho, seguiu a entrevistar todos que por ele iam passando. O repórter lembra que os jogadores já estavam de pé, felizes, cantando e loucos para deixarem o avião. Ninguém conseguiu parar o carioca atrevido, vestido de mecânico da Panair. Saulo desembestou aeronave adentro e de microfone em punho, seguiu a entrevistar todos que por ele iam passando. O repórter lembra que os jogadores já estavam de pé, felizes, cantando e loucos para deixarem o avião. Ninguém conseguiu parar o carioca atrevido, vestido de mecânico da Panair. Quando todos tinham sido autorizados a deixarem a aeronave, Saulo se posicionou para sair na frente. Ao ser visto pelos que estavam do lado de fora, causou muito impacto. Seu primeiro entrevistado foi o vice-presidente – João Goulart. — Para ser repórter, algumas vezes, é necessário se passar por mecânico. O que o senhor acha deste momento tão importante para o futebol brasileiro? Depois que recebeu a resposta, Saulo sentiu um puxão na perna, dado por um segurança do aeroporto. Ele caiu, mas conseguiu fugir antes de apanhar. Na rádio, Saulo Gomes foi cumprimentado por todos. Sua audácia tinha garantido um furo de reportagem da PRD-8 Continental.




Diretores de esporte da Rádio Continental – RJ cumprimentam Saulo pelo desempenho.


Saulo mostra aos colegas da Continental-RJ como escondeu o microfone no macacão.


A Copa do Mundo de 1968 foi a sexta Copa disputada. Pelé estreou na Copa da Suécia e essa Copa foi a primeira conquista do Brasil.




Vavá e Garrincha no primeiro gol do Brasil na partida. Os suecos saíram na frente, mas Vavá virou o jogo.


Pelé – camisa 10 – Copa do Mundo de 1958


Pelé


Evento Copa do Mundo FIFA de 1958
Suécia Brasil 2 x 5
Data 29 de junho 1958
Local Estádio RåsundaSolna
Árbitro Maurice Guigue
Público 49 737


Final da Copa do Mundo FIFA de 1958

Final da Copa do Mundo FIFA de 1958 foi disputada em 29 de junho no Estádio Råsunda, na cidade de Solna na Suécia, entre a Seleção Sueca e a Seleção Brasileira. Foi a primeira vez que uma final de Copa do Mundo pôs frente a frente uma equipe européia contra uma equipe Sul-americana. Foi ainda a primeira vez que ambas as equipes chegaram a uma final de Copa do Mundo, já que em 1950 não houve uma final propriamente dita, e sim uma rodada final de um quadrangular. Ao final dos 90 minutos, o Brasil derrotou a equipe anfitriã por 5 x 2, e se tornou pela primeira vez campeão do mundo de futebol. Desta forma, essa foi a primeira vez que a equipe anfitriã foi derrotada numa Final de Copa do Mundo (já que em 1950 não houve uma final propriamente dita, e sim uma rodada final de um quadrangular), e também a única vez que uma equipe européia não conquistou uma Copa do Mundo disputada na Europa. Esta partida detém o recorde de mais gols marcados em uma final de Copa do Mundo (7 gols), e os 3 gols de diferença pra equipe vencedora fazem esta partida dividir o recorde de vitória com maior margem de gols em uma final de Copa do Mundo (as outras finais com 3 gols de diferença foram a de 1970 e a de 1998. Curiosamente, nas 3 o Brasil estava presente). Além destes, esta partida ainda detém o recordes de “jogador mais jovem a marcar gol em uma final de Copa do Mundo (Pelé – 17 anos e 249 dias)” e “jogador mais velho a marcar gol em uma final de Copa do Mundo (Liedholm – 35 anos e 263 dias)”. Wikipédia